Variação Linguística

Toda língua possui variações. O português falado por um gaúcho não é o mesmo do falado por um paraense, assim como o português usado por um advogado em uma petição é diferente do de um blog. Para compreender essas variações, é preciso pensar em três fenômenos:

  1. A língua varia de acordo com os grupos sociais e o acesso à educação formal;
  2. As variações também acontecem dentro de um mesmo grupo social conforme as diferentes situações de uso, sejam elas formais ou informais;
  3. Grupos específicos possuem falares específicos, como os jargões, usado por profissionais da mesma área, e as gírias, faladas por jovens ou grupos urbanos.

Essas variações mostram que as pessoas fazem o uso pessoal da língua, imprimindo nela suas especificidades e individualidades. No entanto, é necessário que exista uma língua formal, que sirva de padrão para os seus falantes. Afinal de contas, se cada um falar de uma forma diferentes, não haverá comunicação entre as pessoas.

Para que haja comunicação, é preciso levar em conta o interlocutor, ou seja, com quem se fala.

  • Quem ele é?
  • De onde ele vem?
  • Qual o seu nível de conhecimento da língua?

Além disso, é preciso pensar o contexto da fala, o veículo de comunicação, o assunto e o objetivo da conversa para, enfim, decidir qual variação da língua utilizar.

Variações comuns

  • Substituição do lh por i: telha/teia; velha/veia; palha/paia.
  • Uso d r no lugar do l: planta/pranta; blusa/brusa.
  • Simplificação da concordância: as meninas/as menina.
  • Simplificação da conjugação verbal: eu vou/você vai/nós vai/ eles vai.
  • Substituição do ndo por no: falando/ falano; passando/passano.
  • Redução do e e do o átonos: ovo/ovu; ele/ eli.

Observação: por diferirem da norma culta padrão, é comum vermos esse tipo de variação como erros de português. Mas não existe uma forma certa ou errada de usar a língua. Como dissemos antes, a língua é flexível e a comunicação depende do contexto e do interlocutor. Não há problema em dizer “estava andano na rua” em uma conversa entre amigos, mas em uma prova é necessário o uso da normal culta.

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