Figuras de Linguagem

Figuras de linguagem são recursos muito presentes na linguagem poética, por serem uma forma mais elaborada de tornar um pensamento mais comovente ou incisivo, fugindo da maneira convencional de comunicação. Podem ser:

  • Figura de palavra: que está relacionada à mudança de sentido de uma palavra;
  • Figura de pensamento: inserida no campo das idéias, feita por imaginação, raciocínio ou por significação simbólica;
  • Figura de sintaxe: afasta a construção da frase, de alguma maneira, do modelo gramatical, com objetivo de destacar o significado ou modificar a estética da frase.

Algumas figuras de linguagem

Aliteração: repetição de fonemas idênticos ou semelhantes.

“Em horas inda louras, lindas
Clorindas e Belindas, brandas
Brincam nos tempos das Berlindas
As vindas vendo das varandas.”
(Fernando Pessoa)

Assonância: repetição constante da mesma vogal.

“Sou um mulato nato no sentido lato
mulato democrático do litoral.”
(Caetano Veloso)

Elipse: omissão de um ou mais termos facilmente identificáveis pelo contexto.

“Onde a minha namorada? Vai e diz a ela as minhas penas e que eu peço, peço apenas que ela lembre as nossas horas de poesia…”. (Vinicius de Moraes)

No trecho “Onde a minha namorada?”, está subentendido um verbo, que pode ser “está”, “anda”, etc.

Zeugma: assim como na elipse, trata de omissão de um termo, mas neste caso, de um termo que já apareceu anteriormente.

Eu fui a Paris, e ele a Londres. (omissão do verbo ir)

Polissíndeto: coordenação de várias palavras através da repetição de um ou mais conectivos.

“No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego
Trabalhe, e teima, e lima, e sofre, e sua!”
(Olavo Bilac)

Pleonasmo: redundância de termos, tendo emprego legítimo em alguns casos, onde a função é de conferir maior ênfase ao termo.

“E rir meu riso e derramar meu pranto.”  (Vinícius de Moraes)

Anáfora: é a repetição de uma ou mais palavras no início de duas ou mais frases sucessivas.

Aprenda um pouco sobre as Figuras de Linguagem

“É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol”
(Tom Jobim)

Antítese: oposição, numa mesma frase, duas palavras ou pensamentos de sentidos contrários.

Com luz no olhar e trevas no peito.

Paradoxo: junção de elementos contraditórios que parece quebrar a lógica do texto, gerando contradições.

“Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer”
(Luiz Vaz de Camões)

Ironia: uso de palavra ou frase de sentido oposto ao que deveria ser usado para definir ou denominar algo, obtendo-se efeito crítico ou humorístico.

“A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças.” (Monteiro Lobato)

Eufemismo: substituição de uma expressão por outra mais agradável, suavizando alguma afirmação desagradável.

Ele enriqueceu por meios ilícitos. (em vez de ele roubou)

Hipérbole: exagero de uma ideia visando enfatizar seu sentido.

Morrer de medo, explodir de comer, rolar de rir, etc.

Prosopopeia ou personificação: atribui a seres inanimados sentidos inerentes aos seres animados.

O jardim olhava as crianças sem dizer nada.

Apóstrofe: súbita interrupção do discurso para dirigir-se a alguém ou algo, real ou fictício.

“A seguir, caro ouvinte, tocaremos a música mais pedida da semana”.

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