Idade Média

O período conhecido por Idade Média inicia-se no final do século V da era cristã e estende-se até 1453, data da ocupação de Constantinopla pelos turcos. Embora nem todos os historiadores concordem com o estabelecimento desses marcos, o período medieval possui características sociais, econômicas e culturais próprias.

Do ponto de vista social, a principal inovação introduzida foi a extinção do escravismo imperante em Roma e sua substituição pelo sistema servil, no qual os camponeses dependiam dos nobres da terra, porém não eram mais propriedade deles. Do ponto de vista econômico, com a invasão do Império Romano pelos bárbaros, no século V, e a destruição da maior parte das vilas e cidades, houve uma maior valorização da propriedade agrária.  O comércio florescente, a vida nas cidades e os ofícios praticamente deixaram de existir. A expansão muçulmana, que se acentuou a partir do século VIII, interrompeu todas as linhas do comércio e comunicação que ligavam a Europa mediterrânea a diversas cidades e portos do Oriente. Esse fato reduziu ainda mais o movimento comercial nas cidades, afetou a produção artesanal e contribuiu para uma grande inquietação política e religiosa.

castelo da idade media

Grande Castelo da Idade Média

A estrutura agrária foi aos poucos tomando características feudais, a partir do latifúndio romano e das instituições germânicas. Os senhores exerciam o poder militar e civil sobre suas imensas propriedades e exploravam os camponeses que cultivavam suas terras. O domínio do senhor feudal era auto-suficiente em produtos agropecuários e artesanais. Com o desenvolvimento da vida econômica, aperfeiçoaram-se os instrumentos de trabalho, apareceram novas manufaturas e pessoas que se especializavam em determinados ofícios, como ferreiros, tecelões, etc. Esses artesãos vinham e trabalhavam na propriedade do senhor feudal ou na aldeia. Com o aumento dos ofícios e a procura de seus serviços, os artesãos começaram a abandonar o feudo e a construir  povoados nos cruzamentos das estradas, onde era mais fácil vender seus produtos. Nesses povoados, que deram origem às cidades (burgos) nos séculos XII e XII, viviam os artesãos reunidos, segundo seu ofício, em corporações. Quem não pertencia a uma corporação não podia exercer seu ofício na cidade. O artesão com autorização para abrir uma oficina recebia o nome de mestre, podendo admitir aprendizes.

O desenvolvimento das trocas, do artesanato, das cidades, abriu os horizontes do homem medieval. E, graças a um lento mas constante progresso nos domínios da técnica, sobretudo o aperfeiçoamento dos arreios destinados aos animais de tração, o aprimoramento da roda de água e da bússola, e a invenção da imprensa de tipos móveis, tornou-se possível o aumento da produção agrícola e a expansão das manufaturas e da navegação marítima.

sociedade na idade media

A sociedade na Idade Média

Com a expansão do comércio entre burgos e feudos de diferentes regiões, os habitantes dessas aldeias (os burgueses) foram enriquecendo e tornando suas cidades independentes do domínio senhoriais. Ocorreram então os primeiros conflitos entre os nobres da terra e os burgueses.

As disputas entre as duas classes agravaram-se a partir do século XIII, mas a burguesia somente se impôs como a classe mais rica e poderosa depois que destruiu, de modo revolucionário, as instituições feudais, primeiro na Inglaterra e nos Países-Baixos e mais tarde na França, onde a derrubada do antigo regime representou o início de um movimento que levaria os burgueses ao poder em quase todos os países da Europa.

Sob o ponto de vista cultural, a Idade Média apresentou características marcantes, nas quais se fundiam influências da Antiguidade Clássica e da Igreja Católica Romana. O papel desta última pode ser avaliado pelos traços de religiosidade deixados nas artes e nas instituições. Alguns papas da Idade Média chegaram a ter mais poder que os senhores feudais e mesmo imperadores e reis.

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